Olho ao meu redor dentro de mim. Portas abrem e fecham. Pensamentos entram e saem. E nem mesmo o alerta indicando o fechamento automático destas portas é capaz de interromper a viagem persistente dos meus olhos.

Enquanto isso, o trem desliza sobre os trilhos, vou vivendo uma verdadeira revolução interna. Meus pensamentos voam sem destino certo, enquanto eu me perco observando o que existe além de mim. Estou usando a sensibilidade que me toma por completo neste exato momento. Já a minha razão, um pouco ácida, amanheceu mastigando uma descrença irrefutável e totalmente indisposta às contestações. Tenta me convencer, a qualquer preço, alegando que temos motivos suficientes para abandonar algumas crenças. Contudo, meus olhos continuam atentos e incansáveis em busca de oportunidades, aquelas que ninguém vê ou apenas inconscientemente finge que não, pelo árduo fato de estar passando por frequências ruins.

Percebo que se permitir tem muito mais a ver com deixar as mãos abertas quando a decepção tenta nos dominar do que sair a tomar decisões precipitadas e fazer tudo que rege o impulso. Consequentemente, fechando-se para uma nova ótica de percepção.

Entendo que deixar os ouvidos abertos para o mundo significa dar-se a oportunidade de mudar de opinião, e que permitir-se é a forma mais deliciosa de pertencer ao mundo. É o que movimenta a vontade de ir além do alcance dos nossos olhos. É isso que, talvez, a razão não enxergue. Quando tudo parece ter perdido o sentido, são os nossos olhos que encontram a poesia que em algum momento vai nos resgatar.

A vida continua bem a nossa porta oferecendo mil e uma frutas, doces e sabores. Permita-se às doçuras da vida. E quanto aos amargos… Pode ser que o tempo, cansado de tanto insistir, um dia os leve pra longe daqui.

Universalize seu pensamento!
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