“Vai lá, é a sua vez. Conte até cinqüenta que eu vou me esconder, como nós sempre fazemos. Mas só até cinqüenta, viu? Porque se você demorar demais pra me procurar, eu vou acabar achando que acabou a brincadeira, e vou embora de vez.
Nós sempre fomos assim, você sabe, uma hora você some, outra hora eu sumo, sem satisfações e só com um nó no peito e cabeça de criança pra justificar. Nesse esconde-esconde do amor, eu nunca sei quanto tempo você vai demorar pra me procurar, e não adianta combinar, eu sei que você vai extravasar o limite. Mas eu nunca pulo fora da brincadeira, meu coração escondido prefere pensar que está na melhor porque ainda não foi achado. Nós revezamos sempre, quem vai procurar ávido do cheiro do corpo do outro, do toque, das mãos, e quem foge, se esconde sem saber se ainda quer insistir num amor sem pé nem cabeça, sem começo determinado nem fim anunciado, sem regra num jogo onde vale tudo.”